Estou aqui, olhando para a tela do computador e pensando que eu realmente preciso voltar a fazer algo que eu me sinta bem, preciso de uma válvula de escape. Preciso sair do meu mundo e fantasiar com alguma coisa.

Desde que mar/2015 muitas coisas aconteceram na minha vida, obviamente muitas coisas boas, como o nascimento do meu filho, mas em compensação, aconteceram avalanches de coisas negativas e que estão refletindo até hoje… realmente está custando passar.

Uma das coisas que eu mais temia aconteceu: fui diagnosticada com início de depressão. Eu sempre tive muito medo que isso acontecesse comigo…. sempre fui uma pessoa alegre, pra cima, positiva, batalhadora, independente. Agora eu me vejo em uma situação complicada e cada dia que começa é uma luta. Sim, uma luta. Eu luto para manter o sorriso no rosto, para estar bem no meu “porto seguro” que atualmente é o meu serviço (aquele lugar que você teoricamente sabe o que faz e as consequências do que você não sabe). Tem dias que a vontade de ficar deitada na cama o dia inteiro é grande que eu penso em um milhão de desculpas para não levantar. Mas eu vou lá, tento ser forte o bastante para encarar a vida de frente. E todo dia tenho medo do que eu vou enfrentar, pois eu sei o que me espera… é um medo conhecido.

Eu perdi a minha identidade nesses últimos anos. Basicamente falando, aceitei coisas que não aceitaria em nenhum momento da minha vida e estou arcando com as consequências hoje, e essas consequências foram piores do que eu imaginava.

Uma coisa que eu nunca quis perder foi a “fé na humanidade”, fé de que existem pessoas boas, corretas, do bem e principalmente verdadeiras. Mas juntamente com a minha constatação de estado depressivo, eu aceitei que a humanidade fede. Inclusive eu. Não exite mais empatia no ser humano. Cada um pensa apenas no seu umbigo sem se importar que uma ação que ela toma pode desencadear uma série de fatores que, inclusive, pode acabar com a vida de outra pessoa… e não digo acabar no sentido de tirar a vida, é um acabar muito pior, uma vida de lutra contra um sentimento de derrota.

Eu vivi emoções muito intensas e não aguentei, desabei. E eu “peguei” esse sentimento de culpa. Acho que se não tivesse feito x coisa, y não estaria acontecendo agora, não estaria escrevendo esse texto e sim, editando um vídeo alegre para postar aqui… Mas essa atualmente não sou eu.

Atualmente, eu sou aquela pessoa que sempre que se lembra do que aconteceu, fico me perguntando o porquê? Onde foi que eu dei abertura para que tal coisa acontecesse? Na verdade, eu sei… é aquele ditado de que tem que cortar o mal pela raiz, sabe? Eu não cortei… Quando eu poderia ter dito que não, eu simplesmente me omiti e virou uma bola de neve tão grande, que eu não tenho mais forças para dizer não… e viver isso, essa fantasia, está sugando meu psicológico e me levando para um buraco negro que a cada dia está mais difícil de sair.

Uma posição errada minha reverberou pelo resto da minha vida. Me culpo por isso? Sim, todos os dias. Minha terapeuta diz que eu não posso tentar assumir a culpa de tudo de errado que acontece no mundo, mas quando eu penso que se eu me posicionasse somente de acordo com o que eu acredito, nada disso estaria acontecendo.

É horrível acordar com vontade de chorar, de sumir, de morrer. Eu olho pro meu filho e me sinto culpada de estar sentindo isso, de ser egoísta a esse ponto… aí vem outra culpa para carregar ao longo do dia, e esse fardo só vai aumentando.

Ultimamente, eu só queria ter o aparelhinho do MIB, que alguém pudesse me fazer olhar para aquilo e eu esquecer de tudo que aconteceu, te ter meu sorriso sincero novamente, de resgatar a alegria de viver… De me sentir mulher novamente, e não um lixo, uma pessoa que não merecia passar o que passou. Mas como sempre… a gente se doa, mas o ego alheio sempre fala mais alto, a empatia vai embora e quem sofre todos os dias nessa grande mentira chamada vida, sou eu.

Agora, eu apenas vivo. Trabalho para comer, para tentar dar um futuro para o meu filho e quem sabe, recuperar minha alegria e fé na vida. Mas isso, eu já não tenho tanta certeza de que irá acontecer… Pelo menos ainda tenho um fruto que eu vou ensinar que, não podemos fazer com os outros o que não queiram que façam com a gente. Essa é a minha fé…

Um beijo,

Aline Chaves

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